Entrevista com João Fernandes, Presidente da Região de Turismo do Algarve

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A conferência de turismo do Algarve regressa pelo segundo ano. A nível de importância, como considera um evento como este, em termos de unir o setor turístico da região, estimulando o debate e criando parcerias para o crescimento futuro?

Sempre defendi que o setor do turismo algarvio seria tão mais forte, quanto a nossa capacidade para planearmos e anteciparmos problemas, assim como para falarmos de forma focada, articulada e conjugada.

A fórmula proposta para esta conferência parece-me correta, no sentido de percorrermos esse caminho de fortalecimento do setor e de capacitação dos seus agentes e, a julgar pela mobilização conseguida na anterior edição, bem como o resultado da reflexão aí promovida, esta organização poderá vir a contribuir para a definição da agenda regional.

Em perspectiva, qual a importância do sector turístico do Algarve para a economia nacional?

O Algarve é há mais de 40 anos seguidos o destino em Portugal com maior número de dormidas turísticas de Portugueses e de estrangeiros. Não obstante a enorme dificuldade em avançar com um valor exato que permita dar resposta a esta pergunta, quer pela complexidade em circunscreve (e medir) aquilo que é consumo turístico e o que não é, bem como pela necessidade de termos uma Conta Satélite do Turismo regional, há vários indicadores que nos permitem percecionar a importância do turismo algarvio para a economia nacional.

Primeiramente aquilo que se estima ser o peso do turismo em Portugal no PIB nacional – mais de 8%. Ainda que não haja uma decomposição regional destes valores, todos temos a consciência do enorme contributo que o Algarve dá para o todo do turismo nacional e que se traduz, por exemplo, nos mais de 4 milhões de hóspedes, ou nas quase 19 milhões de dormidas registadas anualmente. Em 2018, de acordo com o INE e com o Banco de Portugal, o Algarve representou cerca de um terço das dormidas e 30% dos proveitos em empreendimentos turísticos. Do lado da oferta, a realidade não se altera, sendo no Algarve que estão localizadas mais de 35% das camas em hotelaria.

Perspetivando este quadro geral e tendo em linha de conta de que se trata de um setor eminentemente exportador (muitos dos turistas são estrangeiros, representando entrada de divisas), creio que é fácil assumir o enorme contributo que turismo algarvio dá para a economia regional. De acordo com o Economista chefe do Novo Banco, Dr. Carlos Almeida Andrade, o Algarve é responsável por quase 50% do Valor Acrescentado Bruto do setor do turismo em Portugal.

O tema dos 2019 centros de conferência em torno de "novos mercados de turismo para novos tempos". Onde se encontram as oportunidades-chave no futuro para esta região e como deve o Algarve posicionar-se a fim de maximizar o seu potencial em pleno?

A estratégia que temos vindo a seguir nos últimos anos, creio que ilustra bastante bem aquilo que preconizamos para a região relativamente a esse assunto. A nossa aposta tem-se centrado na conjugação básica de dois fatores: primeiro, demonstrar que o Algarve, para além das praias que lhe conferiram (e continuam a conferir) grande notoriedade, tem um leque alargado de elementos que permitem, a cada visita, descobrir coisas novas independentemente de se ficar no litoral ou no interior, no sotavento ou no barlavento; simultaneamente, temos trabalhado numa maior valorização da nossa autenticidade e da nossa genuinidade. Elementos como a Dieta Mediterrânica, ou a produção cultural regional (esta, muito alavancada pelo programa 365 Algarve) têm sido autênticas bandeiras na nossa promoção.

Em termos internacionais quão forte é a marca turística do Algarve actualmente, e o que mais será necessário. fazer, para promover a versatilidade do destino?

A marca Algarve é, inquestionavelmente, bastante forte, mas que pode ser ainda mais valorizada, sobretudo com a melhoria e a diversificação da oferta.

Como referi anteriormente, temos vindo a trabalhar num longo e contínuo processo de diversificação, desmistificando um pouco o preconceito de que o Algarve é só sol e praia e, quase consequentemente, é só de verão. Nenhuma dessas premissas é verdadeira, embora seja verdade que nosso produto estrela é, como continuará a ser o sol e praia. O que as pessoas têm vindo a descobrir é que existe bastante mais para além das lindas praias; que temos lindíssimos trilhos de percursos pedestres e cicláveis, com vistas de cortar a respiração; que o Algarve tem hoje vinhos de excepção; que na região existe uma grande preocupação com a valorização da nossa gastronomia regional; que aqui encontrarão magníficos hotspots para a prática do birdwatching; que em época baixa, já na sua 4º edição, temos uma programação cultural bastante diversificada e abrangendo todo o território, com a designação de 365 Algarve.

Estes são, na nossa opinião, os elementos que ajudam a valorizar e diversificar a marca Algarve.